Geologia - AderSousa - Associação de Desenvolvimento Rural das Terras do Sousa

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Terras do Sousa > Caracterização Física
 

Geologia

 
 

No que diz respeito à caracterização geológica das Terras do Sousa, dado o facto de os afloramentos de rochas escassearem na periferia das margens dos cursos de água, a área de estudo e intervenção teve que ser necessariamente alargada em relação à área seleccionada para a caracterização dos ecossistemas. Este facto prende-se não só com a dinâmica dos cursos de água que depositam os sedimentos ao longo das margens, formando aluviões que encobrem as rochas que constituem o substrato rochoso onde está instalado o rio, como também com a actividade do Homem que para além de utilizar os aluviões do rio para a agricultura, modifica o leito do mesmo por vezes emparedando-o.

O rio Sousa, o principal curso de água da área em estudo, encontra-se instalado quer em metassedimentos do Paleozóico ou mais antigos (abrangendo na área idades entre pelo menos 542 até cerca de 390 milhões de anos - M.a.) quer em granitóides (300 até cerca de 290 M.a.). O rio Ferreira, afluente do rio Sousa, encontra-se, dentro da área em estudo, encaixado em granitóides (300 até cerca de 290 milhões de anos) e em metassedimentos pertencentes ao Devónico Inferior (entre 416 e 397 M.a.) no seu troço mais a jusante. Ao longo das margens dos rios são igualmente encontrados depósitos do Quaternário, nomeadamente aluviões (12 mil anos à actualidade) e depósitos de terraços fluviais depositados pelos rios ao longo da sua evolução (cerca 2 M.a. a 12 mil anos).

A maioria dos maciços de granitóides no NW peninsular pertence a dois grandes grupos:
- granitos de duas micas;
- granitos biotíticos com plagioclase cálcica.

Estes granitos têm uma idade compreendida entre os 310 e os 290 M.a., estando a sua implantação associada a uma convergência e colisão posterior de continentes, Laurentia e Báltica a noroeste e Gondwana a sudeste (fig. 25). Desta colisão resultou o fecho dos oceanos que os separavam. Este episódio da evolução do planeta Terra, denominado Orogenia Varisca na Península Ibérica, teve uma expressão a nível mundial, com a formação de cadeias montanhosas que se estenderam desde a Península Ibérica até à região da Boémia (República Checa/Polónia) na Europa. Estas cadeias montanhosas encontram-se igualmente no continente americano (Apalaches) e no Norte de África.

A colisão provocou um espessamento da crusta continental, o qual induziu uma fusão de parte da mesma, gerando-se um magma de natureza granítica que deu origem aos granitos de duas micas, entre os quais o granito que aflora no centro da cidade do Porto. Estes granitos instalaram-se quer no núcleo de grandes dobras que se formaram neste período quer em zonas de maior fragilidade da crusta (zonas de cisalhamento). Os granitos biotíticos têm uma origem mais profunda, resultando da mistura de magmas gerados na crusta e no manto superior, ascendendo e instalando-se em zonas de fraqueza profundas da crusta terrestre, de orientação geral NW-SE, dos quais os cisalhamentos de Vigo-Régua e o Sulco Carbonífero Dúrico-Beirão constituem.

Os granitóides que integram a região do vale do Sousa pertencem ao segundo tipo de granitóides – biotíticos –, encontrando-se instalados ao longo do cisalhamento dúctil Vigo-Régua.

A Orogenia Varisca associada ao choque de continentes está dividida em 3 períodos principais de deformação - D1, D2, D3 -, estando a maior parte dos granitos relacionados com esta última. Os granitóides que afloram na região do Vale do Sousa têm idades diferentes mas todos foram condicionados pela D3 da Orogenia Varisca.

As rochas metassedimentares que afloram na região, de idade Paleozóica ou mais antiga, sofreram um metamorfismo - aumento da temperatura e pressão - essencialmente de baixo grau, assim como várias fases de dobramento. Estas rochas tiveram origem na deposição de sedimentos essencialmente marinhos variando desde depósitos de zona da praia (conglomerados e quartzitos) até depósitos de mar mais profundo (xistos). No seu conjunto estas rochas encontram-se dobradas numa grande estrutura tectónica, o “Anticlinal de Valongo”, associado à primeira fase de deformação Varisca. Trata-se de uma antiforma anticlinal assimétrica, com direcção NW-SE, cujo eixo mergulha entre 5 a 15º para NW, com um plano axial inclinando 60º para NE. O flanco oriental, em posição normal e com uma inclinação média de 35º para NE, estende-se desde Valongo até próximo de Castelo de Paiva onde é cortado por granitos variscos, enquanto que o flanco ocidental, invertido e bastante mais verticalizado (inclinação média de cerca de 75o para NE), se prolonga por cerca de 50 km até Castro Daire onde é igualmente intersectado por granitos variscos.

O Carbonífero, de fácies continental, representativo de grandes florestas equatoriais (nesta altura a Península Ibérica encontrava-se perto do equador), aflora a oeste da referida estrutura, ocorrendo no concelho de Castelo de Paiva onde o carvão associado a estas formações foi amplamente explorado (Minas do Pejão). Dada a extensão desta mega-estrutura - estende-se desde a Póvoa de Varzim até próximo de Castro Daire - só é possível visualizá-la por fotografia aérea.

Em particular nos xistos do Ordovícico está contido um valioso património paleontológico representativo da paleobiodiversidade dos mares que cobriam a região há cerca de 470 a 460 M.a. atrás em que são abundantes trilobites, graptólitos, braquiópodes, gastrópodes, cefalópodes entre outros. Este importante património foi alvo de proposta de preservação, por parte da PROGEO juntamente com outros locais de interesse geológico português.

Destacam-se também a presença de ouro, antimónio, chumbo, zinco, prata, estanho e volfrâmio assim como de lousa e granitos ornamentais, entre os quais o granito de Penafiel e o granodiorito de Paços de Ferreira.

As mineralizações que ocorrem na região fazem parte do distrito mineiro Dúrico-Beirão. Este distrito mineiro estende-se por uma faixa de cerca de 90 km, com orientação NW-SE, que se inicia em Lagoa Negra (próximo de Esposende) e se prolonga até próximo de Castro Daire. É constituído por mais de uma dezena de jazigos, alguns deles localizados no Concelho de Paredes, que foram explorados pelo menos desde a época de ocupação romana até ao início do século XX. Couto & Soeiro, em 2006 publicaram uma proposta de preservação das serras das Banjas e Flores, onde se encontra não só um importante património natural como também um valioso património mineiro. Esporadicamente algumas minas estiveram activas mais recentemente. As mineralizações de ouro continuam a despertar o interesse por parte de organismos estatais e de algumas empresas mineiras. Estudos mineralógicos e paragenéticos permitiram distinguir quatro associações paragenéticas presentes nestas mineralizações, nomeadamente os tipos Sn-W (estanho-tungsténio), Sb-Au (antimónio-ouro), Au-As (ouro-arsénio) e Pb-Zn (Ag) (chumbo, zinco e prata).

 
 
 
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